Caso Kalupeteka pode ser o fim do regime que assassinou milhares de angolanos que pensam diferente

Folha 8 Digital — 6 jun 2015

As improváveis e mais que prováveis provas do massacre.

Um vídeo de origem identificada, logo fidedigna já corre o mundo e, nada o desvia de ser um documento probatório autêntico, tanto aos olhos da comunidade nacional como internacional, sobre o primeiro genocídio do século XXI, perpretado pelas forças policiais e militares do Titular do Poder Executivo, José Eduardo dos Santos, que terão assassinado mais de 1500 fiéis da confissão religiosa do pastor Kalupeteka.

O autor das imagens prestou um grande serviço ao país, para se chegar a verdade material dos factos ocorridos no Monte Sumi, Huambo e, ao serem exibidas na SIC (canal de televisão privada portuguesa), deu a possibilidade do mundo ter outra percepção sobre o carácter sanguinário do regime angolano, muitas vezes, vestido com pele de cordeiro.

Pelas imagens que se podem ver nesse documento, consideradas violentas e susceptíveis de impressionar pessoas mais sensíveis, podem-se ver agentes da polícia angolana a massacrar fiéis da Igreja Adventista do Sétimo Dia a Luz do Mundo que, no passado dia 16 do mês de Abril. Eles se apresentaram à hora do culto, clara violação ao art.º 41.º da CRA (Constituição de Angola) para prender o seu chefe, José Julino Kalupeteka.

Vêem-se também alguns cadáveres de crentes religiosos estendidos ao longo de vias identificadas do Monte Sumi. O conselheiro de imprensa da embaixada de Angola em Lisboa, Estevão Alberto, foi chamado a reagir a esse polémico vídeo e estendeu-se de tal modo ao comprido que as próprias autoridades angolanas consideram que o que o que lhe tinha saído num floreado verbal preparado de antemão, comprometia a credibilidade do governo angolano, tal e qual, como se esse órgão de Estado existisse. Enfim, mais um exemplo da habitual prova dada de que em Angola a realidade é ficção e vice-versa.

Num arroto de indignação a abrir as suas arrojadas tiradas sobre a matéria, esse porta-voz disse o seguinte: “Não estou surpreendido pela capacidade fabricadora, manipuladora e manobradora destas imagens. Refutamo-las na sua totalidade porque não correspondem exactamente àquilo que aconteceu”. O que vale nessa declaração é a palavra “exactamente”…

Quer dizer, as autoridades angolanas dizem que tudo isso é falso, manobra, manipulação e mestria no fabrico de provas falsas. Mas, aqui entre nós, que outra coisa poderiam as autoridades angolanas dizer? Nada, a não ser nada, isto é, fazer o que quase sempre fazem quando se sentem em falta, em culpa ou em outra qualquer variante de débito para com os seus eleitores: erguer um muro de silêncio.

Portanto, a verdade do que se passou só pode ser revelada de fora, longe da influência das tesouras da censura do regime JES/ MPLA. E neste caso, como em muitos outros, pela comprovação pelo absurdo, pois todos os cadáveres do Monte Sumi foram removidos e tanto quanto possível durante cerca de dez dias foram apagadas quase todas as provas da carnificina que realmente aconteceu.

Quase… não todas! Para começar vamos aqui juntar uma explicação dada pelo F8 a propósito das declarações deste triste arauto do regime angolano. Com uma referência final ao magistral “Ultimatum” do “governo” de Angola à Organização das Nações Unidas (ONU).

ONDE A POLÉMICA SE INSTALA

Do seu discurso tosco e sem fundamento algum retiramos as seguintes derrapagens mal controladas do camarada Alberto:

1) “O Governo da República de Angola considera que as referidas declarações (a propósito de ter havido mais de mil mortos na refrega do 16 de Abril) não são sustentadas por quaisquer provas e foram amparadas por falsas declarações prestadas por elementos tendenciosos e absolutamente irresponsáveis, com a intenção de difamar não só as instituições angolanas, mas também todos os seus cidadãos”.

Não está certo. Quem não apresenta, ou melhor, quem esconde provas são as autoridades de polícia, “marionetizadas” pelo Executivo. Este último, considera que provas só há em caso de flagrante delito. Caso contrário, tudo o que se passa nesta terra, se for inconveniente para o regime, é mais que improvável. A norma jurídica “indícios numerosos e concordantes”, que serve de elemento essencial de prova em caso se apresentar seja em que caso for, para o MPLA&Cia, não existe.

2) “Consideramos difícil acreditar que foram mortos e enterrados mais de 1.000 pessoas durante uma noite sem um traço, com uma equipa de menos de 50 homens.”

Passaram cerca de 10 dias, desde o 16 de Abril, até serem permitidas as visitas de forasteiros ao local dos acontecimentos, ou seja, tempo suficiente não para enterrar, mas para remover os corpos. Quando às 50 pessoas, nós não entendemos de onde elas puderam vir. Ou melhor, foram cinquenta então (um pouco menos), os soldados do regime que participaram na carnificina). Além disso, os factos aconteceram durante o dia e para remover os corpos não foi numa noite, mas durante cerca de 10 dias e 10 noites.

3) “Os acontecimentos ocorridos no Monte Sumé estão a ser investigados pelo Estado Angolano, através da Procuradoria-Geral da República, e o líder da seita encontra-se detido e aguarda julgamento, não sendo, portanto, plausível que o mesmo tenha saído incólume, se era o principal visado da acção policial, que pretendia detê-lo por crime de homicídio e reiteradas práticas de desobediência civil”.

Esse não é um estudo independente. Quanto ao líder da seita que se encontra detido e aguarda julgamento e que não é plausível que tenha saído incólume…..ed cetera, a cegueira do escriba que lançou este comunicado é de tal desordem que nem sequer viu que o Kalupeteka saiu incólume do teatro da carnificina em excelente saúde e, ainda por cima, a correr. Só foi apanhado dois dias depois (18) E aí sim, ai apanhar, apanhou, como diria Dino Matross. Na TV vêem-se bem as cicatrizes na cabeça.

4) “Gostaríamos também de salientar que medidas foram tomadas para tornar possível a reinstalação e reintegração de famílias afectadas por este fenómeno.” Mas nem há um único membro da seita contactável. Por quê?

5) A seita “Adventista do 7º dia a Luz do Mundo” incitou e conduziu os seus crentes a práticas anti-constitucionais e contra os princípios fundamentais dos Direitos Humanos. Onde estão as leis que proíbem viver nas mata, não ir à escola, não votar e recusar ser vacinado?

E agora, a propósito da posição das Nações Unidas: 6) “Tendo em conta estes factos, o Governo de Angola lamenta que o Alto Comissariado (da ONU) tenha deliberadamente ignorado as violações dos direitos das crianças em particular dos direitos humanos em geral perpetrados pela seita e caracterizada por condenações extremamente violentas em toda a sociedade de Angola através de vários meios de comunicação”.

Não é sustentável, não tem mesmo ponta por onde se lhe pegue, dado que, por um lado essas opiniões foram incutidas por uma imprensa sectária e não esqueçamos o que disse o Presidente José Eduardo dos Santos: “A seita Sétimo Dia a Luz do Mundo é um perigo para a paz e estabilidade em Angola. Deve ser destruída”. Antes de ser julgada a seita já tinha todas as culpas.

7) “(…) o Governo angolano, em nome de todos os seus cidadãos (?), insta o Alto Comissariado das Nações Unidas para fornecer provas de suas declarações ou retrair imediatamente a emissão de um pedido formal de desculpas …”

Não dá para comentar. Depois da carnificina perpetrada pela polícia e militares, depois das sucessivas palhaçadas de altas figuras da magistratura do Ministério Público e Judicial, bem como dos principais “bajuladores-políticos”, nada mais lhes resta senão apresentar os primeiros nomes do crime de genocídio.

O Titular do Poder Executivo, não poderá esconder, por muito tempo, os nomes dos assassinos, porquanto ele, também, José Eduardo dos Santos, tendo a luz da Constituição, toda a responsabilidade criminal, não conseguirá esconder-se por muito mais tempo e o caso Kalupeteka, poderá ser o princípio do fim da derrocada de um regime que tem assassinado, ao longo da sua existência, milhares e milhares de angolanos, pelo simples facto de pensarem diferente.

A ONU, a Amnistia Internacional, a Human Watch Rigths, a Transparência Internacional, através do seu vice presidente Paulo Morais, a Associação Internacional de Advogados, não podem deixar de se solidarizar com os angolanos, para que a “culpa deste GENOCÍDIO, não morra solteira”, ajudando a levar, tal como no Ruanda, os responsáveis a sentar-se no banco dos réus de um Tribunal Internacional.

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