Opinião: Deve o Estado exercer controle sobre as seitas e igrejas?

A proliferação das seitas, um fenómeno incontrolável!?

jesXkalupeteka

Nkhany Zhadell

Luanda – Existem várias definições e descrições sociológicas diferentes para o termo seita. Entre os primeiros a defini-lo foram Max Weber e Ernst Troeltsch (1912) na tipologia igreja-seita.

As seitas são descritas como grupos religiosos recém-formados que se formam para protestar contra elementos da sua religião originária, geralmente uma denominação. Sua motivação tende a situar-se em acusações de apostasia ou heresia na denominação de origem; elas condenam muitas vezes as tendências liberais no desenvolvimento denominacional e defendem um retorno à verdadeira religião.

Este conceito nos remete na seguinte indagação: Todas as seitas resultam de uma denominação? Não! Nem sempre uma seita é oriunda de uma igreja mãe. Algumas seitas surgem do nada. O Cristianismo por exemplo que no século I d.C. foi considerado seita não surgiu do judaísmo como se pretendeinsinuar, pese embora muitos dos seus discípulos converteram dele, mas este argumento não é suficiente para sustentar a ideia, visto que, Jesus o seu fundador sendo judeu, porém, nunca pertenceu a religião judaica.

Logo, é um absurdo, afirmar de que algumas religiões são seitas, o mais certo é afirmar que são doutrinas diferentes daquela que se professa, ou afirmar que seita é qualquer religião.

Como explicar neste caso o recente surgimento da ICCA (Igreja de Coligação Cristã de Angola)? É a ICCA uma seita em si, ou conjunto de vária seitas? Como entender a agremiação de vários segmentos dentro da igreja católica romana que apesar de deverem obediência absoluta ao Papa, mas defendem princípios e objectivos diversificados?

Repara-se que desde os primórdios, a problemática das “Seitas”, tem sido um caos, não só pelo seu conceito diversificado, como também pela sua acção e posicionamentos que na maioria das vezes não são bem entendidos pelas sociedades e assomem perante esta um carácter não menos pejorativo.

Estado X Seitas

Não compete ao Estado, no meu entender, exercer domínio sobre a igreja, e muito menos intentar contra ela acções violentas ou aprovar leis propositadas com intuito de extinguí-la, pois, sejam quais forem os factores que influenciam o surgimento das seitas, a verdade é que a sua natureza, é de ordem espiritual.

Janes e Jambres rebelaram-se nos dias de Moisés liderando um colégio de mágicos contra o ungido de Deus resistindo-ofortemente (2Tm 3.8), Teudas e Judas são citados em At 5.36-37 como mentores de duas seitas distintas já no alvorecer do Cristianismo. Reagindo aos insurrectos contra Pedro e João em relação ao cristianismo considerado seita em sua época, uma das elites do governo romano, Judeu e Doutor da Lei, disse:

“Israelitas, acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes homens. Há algum tempo atrás levantou-se Teudas, dizendo ser alguém, e a este se ajuntou cerca de quatrocentos homens. Ele foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos, dispersos e reduzidos a nada. Depois deste levantou-se Judas, o Galileu, nos dias do recenseamento, e levou muito povo após si. Mas também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos. Por isso vos digo: Dai de mão a estes homens, deixai-os, pois se este conselho ou esta obra é de homens se desfará, mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la, para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus.” (At 5.34-39).

Uma outra autoridade romana declarou contra os insurrectos de Paulo: “Se houvesse, ó Judeus, algum agravo ou crime enorme, com razão vos sofreria; mas, se a questão é de palavras, e de nomes e da lei que entre vós há, vede-o vósmesmos; porque eu não quero ser Juiz dessas coisas!”(At 18.12-15).

De lá para cá, o mundo actual contabilizou até ao momento dez das mais notáveis e perigosas seitas então existentes, mais uma, destacando-se dentre elas a seita, a Peoples Temple (Templo dos Povos), de Jim Jones, que vitimou 900 pessoas na remota selva da Guiana em 1978 e actualmente a seita Luz do Mundo de Julino Kalupetaka que recentemente marcou o curso da história humana nesta senda, causando a morte de um total de vinte e duas pessoas, das quais treze civis e nove agentes da polícia angolana, segundo fontes estatais.

As seitas, como podemos ver, surgiram e continuarão a surgir até a segunda vinda de Cristo, embora em alguns estados com maior incidência e em outros com menor, e em todas as épocas, o combate à este fenómeno não tem sido fácil e muitas vezes impossível, pois, na maioria dos casos, as seitas constituem preocupação só quando elas perigam ou representam ameaça pondo em causa a ordem social.

Cortar o mal pela raiz?

Considerando o slogan “a melhor forma de combater o mal é cortá-lo pela raiz”, aqui entra em evidência a fórmula de física: “causa-efeito”. Tal como um médico, precisa identificar antes a origem duma enfermidade no seu paciente para melhor medicá-lo com o remédio certo capaz de estancar definitivamente a bactéria causadora da doença. Nesta senda, para uma boa compreensão da causa, precisamos, é entender a verdadeira essência do surgimento das seitas, os seguintes aspectos podem, evidentemente nos levar a tal compreensão:

a. Factores económicos,sociais e políticos:

Em função dos vários acontecimentos que plasmam a postura e o comportamento de muitas seitas, pode-se à olho nu, perceber-se que o fanatismo, os interesses materiais e lucrativos, as fricções e as dissensões estão na base da proliferação das seitas. Mais além, podemos ainda apontar os interesses políticos.

Por exemplo, nos últimos anos em angola, a proliferação das seitas tem sido incentivada pelo regime num compromisso de “garantia de legalização destas em troca do voto”, lembremo-nos de que durante as eleições de 2008, o Partido no poder, através dos seus agentes, terá desencadeado uma forte campanha eleitoral em muitas destas igrejas (seitas) prometendo a sua legalização uma vez estas votassem a sua formação política, esta garantia, terá despertado o interesse de muitas seitas que até então estariam no anonimato a responder ao apelo na esperança de virem suas igrejas legalizadas. Nota-se que nunca em nenhum período, o Ministério da Cultura registou maior número de solicitações do exercício legal de actividades religiosas em angola igual ao de 2008-2012.

A tentativa de agremiação de várias conficções religiosas em uma só denominação, a Igreja Nacional, coloca-se num interesse do segundo plano o combate ao fenómeno. Subentende-se neste caso, seu objectivo primordial não necessariamente para estancar este mal necessário, mas sim, para atingir fins políticos. Ora bem, reparemos que segundo o líder do ICCA, foram reunidas 812 igrejas e mais de mil pastores em menos de duas semanas, dentro deste mesmoperíodo os seus membros já ostentam cartão de militante da sua formação política. É mais um exemplo concreto.

b. Infalibilidade da Bíblia

À luz das escrituras, as seitas são um mal necessário.

1. Na visão bíblica, as seitas surgem como produto do cumprimento das profecias bíblicas. Num dos seus sermões, Jesus havia profetizado que nos últimos tempos surgiriam muitos falsos profetas em nome d’Ele e enganariam a muitos. Este fenómeno, surge como um dos sinais dos últimos tempos e é uma prova incontestável de que a Bíblia é infalível (Mt 24.5, 11; Mc 13.22).

2. O apóstolo Paulo entendeu a advertência feita pelo seu Mestre e diz: “É necessário que haja heresias para que o verdadeiro se manifesta” (1 Co 11.19). Pois, é pelos frutos que se conhece a árvore (Mt 7.20).

3. Ainda Paulo exortando o seu filho Timóteo disse que nos últimos tempos muitos se apostatariam da fé, criando doutrinas de perversidade, enganando e sendoenganados (1Tm 4.1-3; 2Tm 3.13).

4. João advertiu a sua geração revelando-os que muitos falsos profetas se teriam levantado no mundo (1 Jo 4.1).

5. O trigo e o joio crescem juntos e Jesus proibiu aos seus servos não arrancarem o joio antes do tempo (Mt 13.29-30).

6. Ninguém tem poder para reter o espírito de Deus (Ec 8.8), em outras palavras, ninguém pode impedir que a profecia bíblica se cumpra. O Senhor mandou falar quem impedirá? (Am 3.8).

É importante perceber em primeira mão que este fenómeno é de natureza espiritual, implica dizer que os interesses lucrativos ora apontados como principal causa, estão plasmados muito além do que se pode imaginar, pois, Jesus em seus sermões, não enfatizou causas ou razões, mas sim, mostrou apenas que é um sinal dos últimos tempos, logo, não importa os motivos invocados pelos seus percursores, o que conta aqui, é que as escrituras cumprem-se. E os que decididamente apostam controlar este fenómeno, estão simplesmente perdendo seu tempo tentando tapar o sol com a peneira. Porque ao arrancar o joio antes do tempo, pode se confundir com o trigo, isto é, entre as seitas, estão aquelas que pregam a genuína mensagem do arrependimento que garante a verdadeira salvação para avida eterna em Cristo Jesus e podem ser confundidas com seitas suicidas. A isso compete somente ao próprio Deus a quem em seu tempo útil, fará o juiz final. Acaba-se com uma seita hoje, amanhã surgirão duas!

Fonte: http://club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=21317:a-proliferacao-das-seitas-um-fenomeno-incontrolavel-nkhany-zhadell&catid=17&Itemid=1067&lang=pt

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