Líderes da IASD em Angola elogiam luta armada contra Portugal, mas condenam suposta reação armada de grupo de Kalupeteka contra a Polícia

Líderes da IASD elogiam luta armada contra Portugal, mas condenam suposta reação armada de grupo de Kalupeteka contra a Polícia

Os mesmos líderes adventistas que condenaram o irmão José Julino Kalupeteha muito antes de seu julgamento por uma suposta reação armada contra forças policiais em Angola, foram os primeiros religiosos a enaltecerem nesta quarta-feira a luta armada que teria libertado o País da opressão colonial portuguesa.

Segundo o noticiário oficial, em Luanda, o pastor da Igreja Adventista do 7º Dia, Inocêncio Isaac, apelou hoje, quarta-feira, aos religiosos no sentido de continuarem a orar em prol do desenvolvimento, estabilidade e consolidação da paz efectiva que o país vive.

Falando à Agência Angola Press, a propósito do “4 de Fevereiro”, data que marca o início da luta armada de libertação do país (1961), o religioso advogou a necessidade de todos crentes orarem a favor da paz, considerando o único caminho para o desenvolvimento sustentável.

“O ‘4 de Fevereiro’ é uma data de extrema importância, uma vez que foi nesta data que os ‘bravos angolanos’ reagiram a opressão colonial sob jugo colonial português até ao alcance da independência nacional, a 11 de Novembro de 1975″, sustentou o pastor Inocêncio Isaac, acrescentando que “devemos comemorar a data com júbilo e agradecer a Deus por nos ter redimido das mãos do opressor colonial, pela paz, por ser o dom de Deus”.

Inocêncio Isaac disse também que é necessário aproveitar a data para reflectir-se cuidadosamente sobre os bens conseguidos desde a conquista da Independência até ao alcance da paz, que honra a memória dos que lutaram pela causa mais nobre do país.

As actividades alusivas ao “4 de Fevereiro” foram hoje abertas, no Luena, com uma palestra sobre o significado da data que dista 54 anos.

Início da LUTA ARMADA de Libertação Nacional

O director Cultural da Igreja Adventista do 7º dia em Camanongue (Moxico), Jacob Tchilimo, também realçou hoje, quarta-feira, na circunscrição, a importância histórica do 4 de Fevereiro, data que marcou o início da luta Armada de libertação nacional.

Falando à Angop, a propósito da efeméride, referiu que o 4 de Fevereiro tem um elevado significado histórico e político para a nação, por despertar os angolanos para a luta contra o colonialismo português.

O religioso lembrou que o acto protagonizado por homens e mulheres de “grande” coragem significou a maturidade do nacionalismo angolano por uma causa justa, tendo sugerido que a data deve servir de reflexão para os filhos desta nação.

Enalteceu, por outro lado, o crescimento social e económico do município, consubstanciado no aumento e melhorias de infra-estruturas escolares, sanitárias, bem como no abastecimento de água e energia, melhorando o bem-estar dos seus habitantes. (O que é evidentemente uma grande mentira, bastando para isso sair às ruas e circular pelas cidades angolanas!)

Dois pesos e duas medidas

Em abril de 2015, a liderança da Igreja Adventista do Sétimo Dia foi a primeira a condenar a suposta luta armada de integrantes de um grupo de centenas de leigos adventistas do sétimo dia que seguiam ao irmão Kalupeteka e teriam reagido inesperada e violentamente contra forças policiais que pretendiam prendê-lo no município de Huambo, na Caála.

Segundo notícia publicada em 20 Abril de 2015, “a Igreja Adventista do Sétimo Dia entende ser necessário continuarmos a divulgar e a promover mensagens de paz aos fiéis, porque Deus é pela paz e pela vida”, defendeu hoje, segunda-feira, em Luanda, o secretário executivo da União Nordeste de Angola dos Adventistas do Sétimo Dia, Teixeira Mateus Vinte.

Teixeira Mateus Vinte teceu estas declarações durante uma conferência de imprensa realizada na sede administrativa da União Nordeste de Angola dos Adventistas do Sétimo Dia, no Bairro Talatona, na capital do país, tendo sublinhado que a igreja solidariza-se com o Comando Geral da Polícia Nacional face aos acontecimentos que terminaram com a morte de agentes e oficiais da Polícia Nacional.

Note que a direção da IASD lamentou apenas as mortes dos policiais e nada disse sobre as centenas de leigos massacrados e mortos pelas forças policias angolanas. Como dizem os brasileiros, tirou simplesmente o corpo fora, posicionando=se ao lado da truculência e da força, mas alegando apego à paz. Julgou e condenou o irmão Kalupeteka e alguns de seus seguidores muito antes que a própria Justiça de Angola simulasse ouvi-los e julgá-los como faz agora. Ignorou as centenas de mortos.

“Sabemos que o país viveu durante algum tempo de guerra e estamos a viver um momento de paz. Divulgamos a paz, Deus é da Paz e quando acontece questões como estas nós repudiamos. A nossa maior tristeza é o facto de usar o nome da Igreja Adventista do Sétimo Dia que não tem nada a ver com o senhor Kalupeteka”, disse. Preocuparam-se apenas com possíveis danos à imagem e à parceria promíscua com o Estado!

Sublinha que as acções protagonizadas pelo líder da igreja a Luz do Mundo, José Julino Kalupeteka, datam de longa data, a igreja como parceira do Estado prima por regras e procurou alertar sempre as autoridades, em relação às acções protagonizadas pelo responsável da referida seita. Iso é uma confissão de que a própria IASD está por trás de toda a sifamação e perseguição ao grupo de Kalupeteka.

Teixeira Mateus Vinte recorda que nas eleições de 2008, 2012 e durante o Censo, José Julino Kalupeteka tentou aconselhar os seus seguidores a “não aderir as eleições e ao Censo”, actos reprováveis socialmente.

Queremos expressar os nossos sentimentos de pesar e dizer que contem sempre com a Igreja Adventista do Sétimo Dia como parceira do Estado angolano. Pedimos às autoridades que, qualquer entidade colectiva ou singular que usar parte ou nome da Igreja Adventista do Sétimo Dia sem a prévia autorização, que, seja responsabilizado, por ser nossa marca registada mundialmente”, disse.

Fontes:

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/sociedade/2015/3/17/Angola-Igreja-Adventista-Setimo-Dia-defende-continua-divulgacao-paz,36755f6d-f073-4a7e-8fb9-afd881d6d44e.html

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/sociedade/2016/0/4/Moxico-Igreja-destaca-Fevereiro,4712c72e-9a57-43a3-92c3-dfd80de02639.html

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2016/0/4/Moxico-Religioso-realca-importancia-historica-Fevereiro,65e4fe37-d96a-4570-9b41-7d2e60e8d376.html

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