Correio Angolense: Caso do pastor adventista Daniel Sem entre a encenação e a realidade

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Queixoso acusado pelos seus “algozes” de planear e fabricar o próprio rapto

Responsáveis da Igreja Adventista do Sétimo Dia supostamente envolvidos no rapto, em Novembro de 2015, do pastor Daniel Sem, ex-líder da União Nordeste dos Adventistas, que estão ser julgados na 13ª Secção dos Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda, no distrito do Kilamba Kiaxi, acusam o queixoso de fabricar e planear o seu próprio rapto, mas a defesa nega tais insinuações.

Na acta de acusação, o Ministério Público aponta o cometimento dos crimes de rapto, difamação e calúnia contra Daniel Cem, por parte dos responsáveis da Igreja em Angola. Entre os acusados encontra-se Pasmoor Hachalinga, de nacionalidade zambiana, antigo responsável da Igreja em Angola, o qual, segundo atesta o advogado do pastor Daniel Sem, Alcino Cristovão, teve um papel fulcral nas manobras para encomenda do crime e da expulsão imediata do ofendido da congregação.

Alcino Cristóvão alega que de acordo com os factos arrolados aos processos existem fortes indícios de que o rapto foi montado, encomendado e orquestrado pelo grupo de pastores que, de resto, conseguiu impedir a ascensão de Daniel Sem a Secretário da União das Igrejas Adventista do 7º Dia, em Angola.

Fiéis falam em simulação de Daniel Sem

Entretanto, à margem da sessão de julgamento, fieis próximos à antiga gestão de Daniel Sem, indagados pelo Correio Angolense, dizem que o antigo responsável terá simulado o seu próprio rapto para ocultar o desvio de 100 milhões de kwanzas, subtraídos de uma das contas da igreja pelo agora queixoso.

Os valores em causa, contam os fiéis que pedem para não serem identificados, foram alegadamente usados em empreendimentos ligados ao pastor Daniel, um assunto que o religioso manteve oculto dos seus superiores hierárquicos. Apercebendo-se entretanto que estava em fim de mandato e teria de apresentar um relatório e contas, o pastor Daniel Sem procurou aliciar alguns fieis para sustentarem a sua recondução ao cargo com o objectvdo de ocultar os valores desaparecidos.

“Daniel Sem, foi um pastor como qualquer um, apesar de dirigir alguns anos uma organização dentro da Igreja. Ou seja, o cargo que ele chegou a exercer não lhe dava tanto dinheiro para ter tantos empreendimentos em seu nome, com realce para o Instituto Superior Internacional de Angola, ISIA”, desconfiam os fiéis contactados por este jornal.

Contudo, em defesa de Daniel Sem, o advogado Alcino Cristóvão entende que essas são informações foram criadas por alguns crentes da Igreja Adventista do 7º Dia para abafar o julgamento. Mas avisa que o que aconteceu é um crime público e o Ministério Público deve levar o processo até ao fim.

História do rapto

Em Novembro de 2015, Daniel Sem, antigo secretário da União Nordeste dos Adventistas do 7º Dia, depois do serviço chegava à sua casa, no Golfe II, e terá sido interpelado por supostos meliantes no momento em que abria o portão para fazer entrar a viatura.

Depois da acção os meliantes exigiram dos parentes de Daniel Sem um milhão de dólares para a sua libertação. Faziam questão porém que o resgate não fosse dinheiro proveniente da Igreja, mas apenas da família do pastor Sem – o que veio a acontecer, dias depois, mas somente no montante de 30 milhões de kwanzas.

Entre os envolvidos, de acordo com PGR, encontram-se os pastores Teixeira Vinte, secretário da União Nordeste dos Adventistas do 7º Dia, Burns Sibanda, Tesoureiro da União, Adão Hebo, responsável da Escola Sabatina e Ministério Pessoal, João Sonhi, ancião da Igreja Central de Luanda, e João Dala, líder da juventude.

A segunda sessão acontece no dia 17 de Outubro na 13º Secção dos Crimes Comuns, do Tribunal Provincial de Luanda, no distrito do Kilamba Kiaxi, em Luanda.

Fonte: https://www.correioangolense.com/artigo/sociedade/caso-do-pastor-adventista-daniel-sem-entre-a-encenacao-e-a-realidade

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